home

Últimas notícias

Saiba todas as novidades, eventos
e informações
sobre a Itaueira.

PUBLICADA EM 26/08/2015

O recomeço do segundo maior do Brasil

Carlos Prado chegou a pedir concordata de uma das empresas. Mas persistiu e se tornou o segundo maior produtor de melão do Brasil

Vicentina trabalha há 28 anos com Carlos Prado e ele faz questão de apresentá-la. Antes da entrevista, ela nos traz melancia cortada em cubos. “Produção da Itaueira”, esclarece o empresário. Nos 2.500 hectares de área – Ceará, Bahia e Piauí – ele produz principalmente melão. Também fabrica o suco da fruta e de caju. 

 

A secretária atravessou tempos difíceis com o patrão: a concordata da Cemag, que produz máquinas agrícolas, e a peleja na produção de caju. Foi no governo de José Sarney (1985-1990), com o congelamento de preços. As dívidas se tornaram impagáveis, peso que o empresário carregou por vários anos. “A Itaueira trabalhou como aquele presidiário de roupa listrada, carregando uma bola de ferro”.

 

Leia entrevista da íntegra

Conversa comprida 

 

A secretária atravessou tempos difíceis com o patrão: a concordata da Cemag, que produz máquinas agrícolas, e a peleja na produção de caju. Foi no governo de José Sarney (1985-1990), com o congelamento de preços. As dívidas se tornaram impagáveis, peso que o empresário carregou por vários anos. “A Itaueira trabalhou como aquele presidiário de roupa listrada, carregando uma bola de ferro”.

Prado não tinha crédito. Mas conseguiu apoio para reerguer a Cemag e fazer da Itaueira a segunda maior produtora de melão do Brasil. Os clientes aceitaram pagar antecipado. Os funcionários suportaram atraso no salário. A esposa, Rosarita, e os filhos focaram na empresa. Não houve críticas. “A discussão foi só o tamanho do bolo de 50 anos de casados”, brinca.

A fala pausada e tranquila ainda tem sotaque paulista, mas já faz 41 anos que ele está no Ceará. Por aqui, passou por dificuldades, mas criou seis filhos e duas empresas. Diz nunca ter pensado em voltar. Com título de cidadão cearense, conta que ficou por convicção. “Sou mais útil aqui do que lá”.

O POVO - O senhor mostra muita tranquilidade. Mas, ao ler sobre sua trajetória e conversar com quem o conhece, tive a impressão de que o senhor é inquieto. É isso mesmo?

Carlos Prado - Inquieto eu não sei, mas sempre procuro novidades.

 

OP - O senhor começou a trabalhar com sete anos. Por que? 

Prado - Quando eu era menino, sempre pedia dinheiro ao meu pai para comprar alguma coisinha. Um dia, ele me negou e eu disse: ‘nunca mais vou pedir dinheiro’. Aí, comecei a rondar o dono de uma loja de móveis que tinha na frente da minha casa. Pedi trabalho e ele não me deu. Mas comecei a ajudar. Depois de uns três meses, recebi meu primeiro pagamento. O sujeito falou assim: ‘rapaz, o seu sapato está meio gasto. Vamos numa loja’. E comprou um sapato para mim. Aí, não parei mais. Continuei estudando e trabalhando. Fui boy no colégio onde minhas irmãs estudavam. Depois, em uma empresa de confecções.

 

OP – Era por necessidade? O que seus pais faziam?

Prado - Meu pai tinha caminhões, máquinas para debulhar milho, feijão. Ele prestava serviço para fazendas e recebia parte da produção. Era uma microempresa. Depois, foi administrador de fazenda. A última atividade foi como sócio de uma distribuidora. 

 

OP – O senhor viveu em fazenda na infância? Foi daí que veio a relação com o agronegócio?

Prado - O primeiro contato foi por aí. Mas sempre vivi na cidade. No campo, foi só um pequeno período em que meu pai administrava fazendas.

 

OP – Como, de fato, o senhor experimentou o trabalho no campo?

Prado - Em 1959, prestei concurso para trabalhar no Departamento de Engenharia e Mecânica da Agricultura do Estado de São Paulo. Como escriturário, eu era obrigado a acompanhar os trabalhos de campo. Em 1961, fui trabalhar no Banco do Brasil. Também era em contato com o campo porque eram os agricultores que iam ao banco.

 

OP – Ou seja, foi por acaso?

Prado - Foi tudo por acaso. É o chefe lá em cima (Deus) que define. Me formei em economia em 1965. E o primeiro trabalho foi reorganizar uma empresa agropecuária. Aí sim eu fui para o campo. Do contato com fabricantes, montei uma empresa de importação de máquinas.

 

OP - O senhor trouxe essas máquinas para o Ceará?

Prado - A gente viu a oportunidade de produzir as máquinas no Brasil. Aí é que vem a nossa chegada no Ceará. Recebemos a notícia de que, aqui, estavam plantando amendoim no meio do caju. E o pessoal estava enfrentando problemas para colher. Quando peguei essa noticia, no mesmo dia, em 1973, vim para cá. Ofereci nossas máquinas para alugar.

 

OP – Como o governador César Cals incentivou a instalação da fábrica no Ceará?

Prado - O César Cals soube que tínhamos um projeto de botar uma fábrica de máquinas em Presidente Prudente (SP). Aí ele me perguntou: ‘o que você quer para botar essa fábrica aqui no Ceará?’. Fiz uma relação. Pedi apoio para a gente conseguir uma encomenda que justificasse o primeiro ano de operação.  

 

OP – Foi atendido?

Prado - Sim, me arrumaram um galpão do Edson Queiroz. Mas eu não conhecia ninguém aqui. Não tinha fiador para alugar. E o Edson disse: ‘é, mas eu fui com a tua cara’. Cheguei no dia 1º de julho. Em 13 de agosto, estava constituída a Cemag - Ceará Máquinas Agrícolas. Em janeiro, já havia máquinas produzidas no Ceará trabalhando em São Paulo. Três ou quatro anos depois a gente estava enchendo convés de navio para a África. Foi a primeira exportação de máquinas agrícolas do Nordeste.

OP – Mas o senhor não se manteve só na indústria.

Prado - A Cemag foi bem durante vários anos. Em 1980, uma consultoria nos mostrou algumas coisas oferecidas pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) para o Centro-Sul do Piauí. Fizemos um projeto para 10 mil hectares de pecuária. Quando o projeto estava tecnicamente aprovado, a Sudene mudou as regras do jogo. Aí não podia ser mais 10 mil hectares, só mil. Isso inviabilizou o projeto. 

 

OP - Aí o senhor foi para a fruticultura? 

Prado - No ano em que eu cheguei aqui, em 1973, eu comecei a conhecer o caju. E o caju me assustava. Tanto caju no chão, sem aproveitamento. No ano seguinte, eu fiz acordo em Mossoró e com professores da Universidade Federal do Ceará. Desenvolvemos modelo para colher caju: selecionar, embalar e mandar de avião para São Paulo. Nunca perdi dinheiro tão rápido (risos).

 

OP – Por quê?

Prado - Não funcionou porque o acordo inicial era de que, no primeiro ano, a empresa garantiria um determinado rendimento. Mas, na hora do acerto, disseram ter havido algum mal entendido. Todo dia, a gente enchia os porões da Varig com as caixas de papelão de caju. Foi uma experiência tão interessante, que eu prometi nunca mais mexer com caju. 

 

OP - Não vendia bem?

Prado - Vendia pela curiosidade. Mas, quando se colocava uma quantidade que justificasse o empreendimento, não tinha saída regular.

 

OP – O senhor voltou ao caju...

Prado - Para nós, o caju só serviria se a gente criasse um modelo novo. Plantamos o caju anão, mas com a castanha. Quando a gente planta com a castanha fica melhor, mas você não sabe o que pode sair. Teria que ser muda enxertada. Começamos em 1980. A primeira comercialização foi só em 1994. A Epace (Empresa de Agropecuária do Ceará) tinha mudas desse cajueiro anão enxertado e nós plantamos 200 cajueiros, 50 de cada variedade. Daí saiu uma variedade que, até hoje, é a mais comercializada. Eles chamaram de CB-76. Vimos o resultado e fizemos um contrato de cooperação técnica com a Embrapa. 

 

OP – Foi o começo da Itaueira, em 1980. Ela ficou todo esse tempo sem comercializar nada?

Prado - Era. A Itaueira estava só pesquisando. Mas, em 1989, a gente ficou sem dinheiro para plantar porque a Cemag teve problemas, entrou em concordata.

 

OP - Foi por causa das mudanças de planos econômicos?

Prado - Isso. Em 1986, o Sarney fez o Plano Cruzado, que congelou o preço dos alimentos. A Cemag vendia para quem era produtor agropecuário - carreta agrícola, maquina de colheita etc. A empresa tinha 600 empregados, faturava US$ 2 milhões por mês. Entre 90% e 95% da nossa produção era para o mercado interno e, de um dia para o outro, nosso comprador ficou sem renda. Congelaram o preço dos alimentos, mas a inflação continuava. Nosso faturamento foi para US$ 100 mil de dólares. Imagina o desastre.

 

OP – Mas vocês persistiram...

Prado - Na época, a gente tinha condição. Eu acreditei demais. Não era possível que o Governo não enxergasse o problema. A gente continuou consumindo as reservas, acreditando que pudesse mudar.

 

OP - O senhor nunca tentou vender as empresas?

Prado – Tentamos. Mas só depois, porque as coisas começaram a mudar. Para você ter ideia, no dia da concordata, a gente estava com o pátio cheio de máquinas. Faltava uma roda, um rolamento. E eu não podia entregar porque faltava uma peça. Foi uma situação muito desagradável, você ver o negócio se desmanchando assim. Na época, tentamos vender a Itaueira. Mas não apareceu ninguém. 

 

OP – Como o senhor se reergueu?

Prado - No caso da Cemag, nós mostramos para os clientes que não tínhamos condições de atendê-los. A não ser que, a cada pedido, eles nos adiantassem o dinheiro para comprar o material. O pessoal da fábrica se propôs a suportar algum atraso.

 

OP – A Cemag chegou a fechar por algum momento?

Prado - Nunca parou. E a Embrapa continuou a pesquisa com o caju na fazenda (para a Itaueira). Em 1994, a gente fez a primeira comercialização -tudo para São Paulo. 

 

OP – A essa altura, já havia o Plano Real. Como estava a Cemag?

Prado - Quando começou a comercialização do caju, ela começou a fazer caixa. A Cemag não podia se desenvolver por causa da dívida que tinha com o Banco do Nordeste. Essa dívida havia subido tanto com as correções que se tornou impagável. A Cemag ‘era do banco’ e tínhamos que deixá-la em banho maria para não atrapalhar a Itaueira.

 

OP – Ela está saudável hoje?

Prado - A Cemag, depois de muitos anos, liquidou as dívidas dela e está se recuperando. Foi nesses últimos anos. Desde o ano passado, ela vem sendo reformulada. Para dar uma ideia, eu fiquei oito ou nove anos sem ir à Cemag. Controlava à distância.

 

OP - O senhor investe nela?

Prado - Como você vai investir em uma empresa com uma dívida impagável? Até o dia em que a gente conseguiu, na Justiça, ajustar tudo. Agora ela está em uma fase de recuperação. Reformulou toda a linha de produtos. Começa a se sofisticar.

 

OP – Ela não gerou problema para a Itaueira?

Prado - Gerou. Sempre foi um peso. A Itaueira trabalhou como aquele presidiário de roupa listrada, carregando uma bola de ferro. Tínhamos saído tão feridos da concordata que ficamos sem crédito nenhum. Aí tivemos que trabalhar sem dinheiro. Ou gerando o próprio recurso. 

 

OP - Seu principal produto, hoje, é o melão. Como foi a transição? 

Prado - Em 1999, nosso maior cliente nos insultou. Ele disse: ‘tem uma fruta aqui, que é o melão amarelo. Eu acho que, se vocês fizerem com o melão o que fizeram com o caju, terão um grande negócio’. Bom, fomos estudar o caso do melão. Levei o assunto para (o engenheiro agrônomo) Silvio Dantas, propondo uma parceria. Ele disse: ‘o problema é que eu não sei se saco vazio para em pé.’ E eu: ‘acho que dois sacos vazios bem escorados, param em pé’ (risos). Em 1999, em Jaguaruana, plantamos os primeiros oito hectares de melão. Para você ter uma ideia, hoje, temos 2.500.

 

OP – Quando o melão começou a ficar no Ceará?

Prado - Demorou uns quatro anos. A gente fez uma pesquisa e viu que o consumidor não se lembrava da marca de fruta que ele comprava - se é que tinha alguma marca. Aí, botamos uma redinha no melão. Ela chamou atenção e eles passaram a se lembrar. Com isso, a gente conseguiu valorização. E nós procuramos plantar em outras regiões do Nordeste, que é muito rico em termos de ambientes e ainda não foi descoberto nessa área. No início, a gente produzia para exportar. Hoje, só exportamos 10%.

 

OP – Por que, depois de tanto esforço, vocês desistiram do caju?

Prado - Porque a Embrapa fez muita propaganda e todo mundo foi produzir caju.

 

OP – O senhor também teve uma empresa de aviação agrícola.

Prado - Isso foi logo no começo. Foi em 1975. Ela durou uns dois anos. A gente comprou porque, no Nordeste, havia um tratamento da cana de açúcar que se fazia com aviões. O Governo estava interessado em cuidar dos cajueiros aqui com aviação agrícola. Mas foi um péssimo negócio. O nome dela era Nordeste Aviação Agrícola.

 

OP – A sua mulher, Rosarita, acompanhou o senhor desde o começou, na vinda para o Ceará?

Prado - Na primeira vez, vim só. Vi o ambiente e pedi que ela viesse. Ela gostou. Os filhos eram pequenos, só uma nasceu aqui.

 

OP – Houve alguma discordância na família por insistir em negócios tão complicados?

Prado - Nunca. A discussão foi só o tamanho do bolo de 50 anos de casados (risos).

 

OP – Quando seus filhos a entraram na empresa?

Prado - Eu nunca chamei nenhum filho para trabalhar. Eles tinham mesada, com contrato escrito. Nunca tiveram nenhum extra. Eu dizia: ‘quer dinheiro? Vai trabalhar’. O mais velho dos homens começou trabalhando na cantina do colégio Batista. Eles foram para outras empresas e retornaram na época da crise. Quando houve a concordata da Cemag, demiti os executivos e a gente recomeçou do zero. Eles se ofereceram para ajudar. Vieram todos.

 

OP – Como está a sucessão?

Prado - Aos poucos. Hoje, por exemplo, o Tom praticamente é quem toca a empresa. A gente está falando aqui há quanto tempo (o gravador marcava 1h03min)? Bom, ninguém me trouxe nada para assinar. O telefone não tocou (risos).

 

OP – O senhor pensa em parar?

Prado - Parar não. Mas a empresa, naturalmente, tem que estar preparada para uma substituição. A gente já está começando a praticar.

 

OP – O senhor tem forte atuação no meio empresarial. Na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), na Comissão Nacional de Fruticultura, no conselho da ZPE Ceará.

Prado - É uma questão de cidadania. Se você recebe, tem que devolver alguma coisa. Já frequentava os sindicatos da indústria metalomecânica desde a fundação da Cemag. 

 

OP – O senhor acaba de encerrar seu mandato como vice-presidente na Fiec. Mas é muito ouvido por lá...

Prado - Se você está praticando cidadania, fazendo aquilo que acha correto, é um negócio natural. Ali, a gente acabou vivendo uma série de situações, desde a criação do Centro Internacional de Negócios (CIN), que eu coordenei desde o início.

 

OP – Como o senhor avalia a iniciativa da Cogerh (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos) de começar a racionar água nos perímetros irrigados?

Prado - É um alerta de que algumas medidas precisam ser tomadas para garantir segurança para o setor agrícola para os próximos anos. Sem chuva, não tem garantia de suprimento. Isso é risco para os próximos anos. Para agora, não temos solução que não seja preservar o que já existe. 

 

OP – O setor privado pode colaborar com os investimentos necessários?

Prado - O setor privado paga pela água, os investimentos vêm do poder público. A solução para o Ceará passa pela transposição do são Francisco. Além dos reservatórios, teremos (a transposição do) São Francisco.

 

OP – Qual o aproveitamento da água na fruticultura?

Prado - Não se desperdiça. Você só coloca a água que a planta absorve. A irrigação localizada, de gotejamento, você aproveita plenamente. Em nossas propriedades no Piauí e Bahia, toda água vem de poços. É uma vantagem que boa parte dos solos do Ceará não possui.

 

OP- Como o senhor vê a atuação do Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra a Seca), da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e do Banco do Nordeste?

Prado - O Dnocs já fez o que teria que fazer. Qualquer política de irrigação tem que ser tocada pelo próprio Estado, que é o maior interessado. O Dnocs já fez vários açudes, alguns projetos de irrigação, mas não administrou bem. Tanto é que você vê grandes projetos já implantados, mas não ocupados. É uma ofensa ao País ter negócio pronto para produzir e não produzir.

 

OP- É um órgão que não faz falta?

Prado - Na minha opinião, já deveria ter parado de existir. Na vida, vemos que, quando uma coisa atinge o ápice e cai, não consegue retomar. Qual resultado que aquilo está dando para o Governo colocar mais dinheiro dentro? Uma estrutura arcaica e envelhecida, é muito difícil fazer funcionar. 

 

OP- E a Sudene? O BNB? 

Prado - Aí a história é mais comprida. Na Fiec, coordenei um grupo para estudar o Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste). Apresentamos uma proposta de emenda à MP 651. O Finor e o BNB corrigiram de forma leonina contratos e tornaram dívidas impagáveis. O órgão que deveria tratar do desenvolvimento travou o desenvolvimento. No momento em que colocam a empresa no Cadin (Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal) ela fica impedida de operar junto às instituições oficiais. A nossa proposta foi de renegociação, em que o Governo dá uma série de condições para as empresas se regularizarem. Primeiro, com o parcelamento, mas sem esses encargos extras.

 

OP- Isso quer dizer que o BNB nem sempre colabora?

Prado - Nesse caso, contamos com a colaboração de um diretor da Sudene, gente do Ministério da Integração. O Banco do Nordeste mandou técnicos. Só que oficiosamente. Mas, da forma como corrigiram essas dívidas, Banco do Nordeste e Sudene, não sei se criaram mais mal do que bem. Você tinha famílias que resolveram entrar em empreendimentos. Quando a Sudene atrasava a liberação e a inflação era muito alta, o que acontecia? A pessoa, para sustentar o investimento, já estava colocando dinheiro na frente. Tinha que ir ao banco atrás de dinheiro, muitas vezes, o próprio Banco do Nordeste, com taxas altíssimas por causa da inflação, e acabava afundando mais.

 

OP - O senhor diz que irrigação deve ser tarefa do Estado. Como ele está se saindo?

Prado - Tivemos governadores que trabalharam bem essa área. O Tasso (Jereissati), que criou a Secretaria de Agricultura Irrigada. É uma pena que ela não tenha continuado, que tenha virado uma secretaria só. O Cid (Gomes), por exemplo, sempre foi aberto às câmaras setoriais, para sentar e discutir o que precisa ser feito de forma transparente. Neste ponto, o Ceará caminhou. Hoje, o Porto do Pecém é o maior porto exportador de frutas do Brasil.

 

OP- o Senhor se considera cearense?

Prado - Claro (aponta para a placa com o título de cidadão cearense, concedido pela Assembleia Legislativa). Acho que luto mais pelo Ceará do que muita gente. 

 

OP - O senhor já pensou em fazer o caminho de volta, plantar alguma coisa em São Paulo?

Prado - Não, por convicção. Acho que sou muito mais útil aqui do que lá.

Fonte: opovo.com.br

Copyright® Itaueira - Todos os direitos reservados. Agência Gotcha!